Um "cadinho" de mim

São Luís, Maranhão, Brazil
Rita Luna Moraes Assistente Social e Bacharel em Direito. Servidora pública federal aposentada.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Eis que as minhas amigas, companheiras, conhecidas, colegas e iguais estão indo embora... (sim, tudo no feminino - chega de nomear no masculino - somos maioria de mulheres!)

Neste mês de março de 2026 farei 64 anos, mais precisamente, em uma semana. Escrevo para falar de idade, sim, e de suas complexidades e simplicidades, tudo no plural, mesmo. 

De há muito, observo em mim as dificuldades de movimento. Me machuco com muita frequência. Sinto dores articulares e atividades corriqueiras vêm se tornando mais pesadas. 

Semana passada, ouvi um relato de uma colega de profissão e ativista feminista acerca de mais um caso de violência contra a mulher. Assisti a todo o relato da companheira, numa rede social. Um caso de que eu já havia tomado conhecimento, mas parei para ouvir a posição da colega, pois se tratava de uma referência para muitas de nós. 

Lá pelas tantas, ela disse que, aos 70 anos e outros tantos de militância, ela voltava ao tema para indignar-se e solidarizar-se, por óbvio, com a vítima daquela violência. 

Me dei conta que a colega já está com 70! Gente, o tempo está passando! (Risos, porque é lógico!) As pessoas de meu conhecimento mais próximo estão envelhecendo! Eu mesma, ando me dando conta disto, mais pelas limitações, que mesmo pela romantização da "melhor idade".

Dar-se conta de que o tempo passa, impõe a inevitável questão: como serei sem os meus próximos? Em um mês, mamãe completará 101 anos!  Amigas queridas adoecidas e outras caminhando na vida com dificuldades. E, ainda, as que estão indo embora mesmo. Professoras e colegas além de netos e bisnetos, com que se encantam e celebram e às voltas com limitações a superar para acompanhá-los e com eles bem conviver. Que desafio!

Haverá descompasso, certamente. E não deve ser razão de desconsolo, penso eu. Nem deva ser buscado espaços de "superação" para que se dê conta. Penso que devemos correr cada um em seu próprio curso. Não desejo e nem me esforçarei para alcançar a vida de sobrinhos-netos. Dar-me-ei por satisfeita enquanto os reconhecer e puder brincar ou ler para eles uma história, ou qualquer outra mediação, mínima que seja e possamos seguir bem! 

Uma preocupação que ronda é a da perda de autonomia, em seu mais amplo sentido. Aqui, sim, exige atenção para que, quando o futuro envelhecer, o presente possa acompanhar.

Depois volto aqui, de novo, nesta toada. Hora de acompanhar mamãe para a cama! 21:00h

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

 

O serviço público merece respeito e seus servidores de base, também

Na semana em que o Congresso Nacional aumentou absurdamente os salários dos servidores do Legislativo e em que o Ministro do Supremo Tribunal Federal, o conterrâneo maranhense Flavio Dino sentenciou que os órgãos públicos eliminem os “penduricalhos” vergonhosos que burlam o teto salarial para os servidores públicos, lembrei-me de que não celebrei meus 40 anos: em 1986, tomei posse como servidora pública federal, em 02 de janeiro, concursada e aprovada em 1º lugar, em empate com outra colega de turma da UFMA, que, por ser mais velha, classificou e assumiu primeiro, no último concurso unificado realizado à época.

Não importa que já tenha passado a data. O que me importam são minhas memórias e sobre elas escrevo agora - antes que me esqueça.

Filha de servidora pública, da área educacional, desde a adolescência mamãe me levava, nas férias escolares, para a Escola Técnica, ali no Monte Castelo. Costumo dizer que minha habilidade com grampeador e perfurador vem de longa data. Mamãe me fazia organizar dossiês de funcionários e procurar atos administrativos no Diário Oficial da União (um livrão em papel jornal encartado). Eu lembro de que gostava dessas atividades. Até hoje, sou detalhista pra organização e tenho olho clínico para encontrar qualquer registro.

Meus primeiros anos como profissional de Serviço Social, na Unidade Materno Infantil, foram muito intensos. Inicialmente, no ambulatório de Obstetrícia, fazia atendimentos individuais e palestras para as gestantes em Pré-Natal, orientando-as sobre seus direitos em Saúde e civis. No primeiro ano ainda, estive como Supervisora de Estágio e, em seguida, como Supervisora Profissional.

Logo me juntei com outros trabalhadores e organizamos a atividade sindical – integrei e nomeei a Comissão Provisória (CAEMP) do que hoje é o nosso SINTSPREV e fizemos greves históricas e pioneiras nos 2 maiores Hospitais Federais da capital, além dos Postos (PAMs) e nas Unidades do INSS. Recordo que, nos piquetes, organizávamos a triagem com o pessoal da Enfermagem. Articulados a nível nacional na FENASPS, alcançamos muitas conquistas salariais e de condições de trabalho. Ano após ano, temos que sair reivindicando quase as mesmas pautas.

Mas, voltando para os dias de hoje: nós, servidores de base, ativos e aposentados (meu caso) do Poder Executivo sempre, sempre, recebemos muito menos que os colegas do Legislativo e bem menos ainda do que os do Judiciário. E seguramos o SUS na unha! Para ficar no exemplo da minha área de origem como servidora.

Passando pelas 3 esferas de Governo (Federal, Estadual e Municipal) na saúde, no planejamento e orçamento, na gestão, na assistência social e nos Direitos Humanos, mantenho o orgulho de vivenciar e praticar um trabalho que se dedica a contribuir para efetivar direitos. Mesmo sem o reconhecimento adequado e justo devido a nós servidores públicos, que merecemos dignidade profissional, o que não se concretizará com tantos penduricalhos desigualando as carreiras e projetando para a sociedade que o serviço público é dispendioso e ineficiente. Logo vem as chamadas na TV Globo para as propostas de reforma administrativa e da previdência. Mais uma vez, pretendem retirar direitos dos servidores de base, sem nem triscar nos do andar de cima, na equação salarial e de condições de trabalho.

Haja resistência e luta! Ando cansada. Não de trabalhar! Sempre penso que por trás de qualquer papel ou tela tem uma pessoa que receberá o resultado do meu trabalho e isto me gratifica. Mas, sem romantismo e voluntarismo, há que se compreender como um trabalho que imprime força e, portanto, precisa de compensação digna.

Que cessem os penduricalhos, as desigualdades, as aposentadorias compulsórias com salário como penalidade no Judiciário e as canalhices dos deputados e senadores, que olham para seus umbigos, em vez de priorizar a sociedade. Salvo as honrosas exceções, que existem e que devem nos animar. Assim como a decisão do Ministro Flavio, que aguardamos seja confirmada por seus pares.

O serviço público merece respeito e seus servidores de base, também!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Segunda-feira, 05 de janeiro de 2026.

De volta ao recomeço

Inicio este ano da graça de dois mil e vinte e seis, retomando um de meus maiores prazeres - conversar com as palavras! 

4 anos do último escrito por aqui, nesta minha página. Quando fiz 60 anos. Estou na antevéspera dos 64. Agora, um pouco mais liberada de outros encargos, pessoais e profissionais, espero vir aqui mais vezes, quando for possível, sem pressão ou data marcada.

Deste tempo todo, falar sobre o quê?

Certamente, a maior novidade é que mamãe completou 100 anos em 2025 e já emplacou 26. Que mulher danada! (Ela responderia logo: danada, não! Esperta!) A convivência muito próxima com ela ensina, todo dia, o que realmente deve importar nesta vida e, sem dúvida, exercita a paciência e a busca por equilíbrio com que devemos transitar diante das adversidades. É um desafio diário! 

Nem sempre foi assim com clareza e possibilidade. Demandou dias atribulados, noites insones, choro no banho, meses sem perspectivas e anos de incertezas. Mas, ao fim e ao cabo, resulta na consciência de que há o imponderável e o que foge de seu controle e que não se deve gastar energia em todas as frentes.

Aprender que escolher as batalhas a enfrentar também é um modo de ir à guerra.

Em tempos de tantas guerras reais e simbólicas, nada mais apropriado do que procurar entender seu próprio campo de batalha.

Quando ainda se ouvia música em formato disco (CDs), com mais frequência, (porque eu sigo escutando os meus antigos); num tempo em que não havia redes sociais, canais digitais ou ir a shows era uma experiência menos acessível, tinha como um dos meus outros prazeres fazer seleções musicais, gravar num CD, imprimir uma capa, dedicar a algum amigo e dar-lhe de presente. Dia desses, encontrei um rascunho de uma destas seleções. Pois bem, nestes últimos anos, teve dias em que sequer ouvi uma música, uma única sequer. Houve um silenciamento que não conseguia entender, já que sempre amei música. Também estou conseguindo retomar as seleções. Agora, num canal digital, já fiz uma "para mamãe" e outra "para quando eu morrer".

Recomeço também as leituras livres do teor profissional e que, neste período, andaram escassas. Outro silêncio inexplicável, porque livros são minha melhor companhia. No momento, iniciei um que leio de manhãzinha e à noite, na casa de mamãe, enquanto ela dorme; um que fica aonde estão meus pertences, que leio quando passo por lá e outro no leitor digital. Quando os terminar, veremos se vai dar alguma resenha. Os 3 são de literatura. Nada específico de Serviço Social, do Direito, das áreas de Saúde, de Direitos Humanos ou da Assistência Social - estes, deixo para o horário diurno, quando necessário, por dever e por necessidade vital de compreender a realidade.

Antes, estabelecia horário para as telas. Com os silêncios na música e na leitura, houve um desregramento. Hora de recomeçar a ter hora certa para acessar redes e internet. Hoje mesmo comentei com alguns colegas, que estudos comprovam que se apreende mais na leitura impressa que rolando as telas (economizar papel quando se imprime e a energia gasta nos usos de celular e de computador deve ser perseguido, sem estresse e sem ilusão de que nossa contribuição individual para salvar o planeta da crise climática deva ser maior do que as outras fontes de desastres, como por exemplo, a água consumida para rodar os computadores que guardam os dados e as informações - os chamados data centers, em tempos de Inteligência Artificial (IA), que já seduzem muitos sem nem se darem conta do custo.

Finalizo este recomeço lembrando o que me norteia quando escrevo: serve a mim mesma, em primeiro. Quando compartilho para alguns ou tantos, espero que sirva para que me (re)conheça(m) um pouco mais.





 



 

terça-feira, 29 de março de 2022

Cheguei aos 60. E agora, Rita?

Neste último dia 23 de março de 2022, completei 60 voltas ao redor do sol. Somente hoje pude registrar em texto algumas reflexões (no dia em que virei idosa, estava de repouso forçado, cuidando de mim).

Ao contrário do que a maioria talvez fizesse, em um “balanço de vida”, não começo pela gratidão (e digo logo que desgastaram muito esta palavra), mas reconhecendo, para mim mesma, principalmente, o que errei. Sim, sou muito exigente comigo, em primeiro lugar!

Reconhecer meus limites, o que me falta, como vivo a relação com os outros, o que não quero mais para mim e o que espero saber para o que desejo na 3ª. parte da vida (não conto de 25 em 25 anos, mas de 30 em 30, porque passarei dos 90, mas não chegarei aos 100). Sim, tenho certezas!

Aqui não haverá revelações dos resultados a que cheguei com estas reflexões. Esperem e observem para ver e sentir, em todas as dimensões da vida. Apreciem os 30 anos que virão!

Se até aqui, posso dizer que foi bom, exigente que sou, digo que não foi “bem bom” o quanto eu queria. Aguardemos os próximos anos!

Tudo certinho, planejado, no cenário ótimo? Que nada! A terra não é plana, por que eu teria que ser? Vou bater cabeça, errar e acertar, de novo e de novo, desistir e esperançar, e desistir, de novo. E esperançar, de novo. Onde isto vai dar? Sei lá! Vamos descobrindo! Ando cansada de acreditar que dependa de mim. Num mundão desse, tem mais para além das minhas forças. Mesmo sendo essencial. E ainda sei tão pouco das vidas por aqui.

Sou grata, especialmente, às mulheres fortes que estiveram comigo nestes anos. Vou citar duas: minha avó materna Maria (que conheci até meus 18 anos) e de quem lembro que gostava de viajar (eu também!) para ver os filhos que moravam fora e minha véia Hildenê, mamãe com seus quase 97 bem vividos anos (até hoje minha melhor Professora - ela que ensinou a tantos, pelo interior do Maranhão) e de quem herdei o hábito pela leitura e pela escrita (de um tudo lemos e escrevemos, das coisas do dia a dia, das legendas nas fotos dos álbuns a anotar o que não é pra esquecer) e o gosto por música, acrescido de ter resposta pra tudo, boa nos argumentos e no cuidar dos outros. Melhores heranças eu não poderia ter!

Aos demais, familiares, amigos e companheiros de estrada, mulheres e homens, expresso em vida, no sorriso, no semblante fechado ou num presente especial o que representam para mim, às vezes até digo também com palavras. Minhas atitudes são a melhor expressão do que sou. Brinco sempre que não gasto meu abraço com qualquer pessoa. Nem meu sorriso. Menos ainda minha gargalhada. O tempo veio me mostrando o quê e quem realmente importam.

Antes que as águas de março fechem o mês, vim aqui, neste dia 29, deixar um pouco de mim, para (re)encontrar-me com cada vida que trilha meu caminho. Estarei por aqui, mais um bom tempo! Que seja “bem bom”!

Rita de Cássia Luna Moraes


segunda-feira, 30 de novembro de 2020

 

Café e Cerveja com Rita – 01/2020

30 de novembro de 2020

Aqueles que me conhecem, sabem que gosto de café e de cerveja. E de conversar. E de escrever. Necessariamente fora de qualquer ordem.

Assim, resolvi, por diversos motivos, retomar esses prazeres, de modo mais frequente. Sim, porque, para mim, tem que ter prazer no que se faz. Mesmo nas adversidades.

O tempo, este Senhor Rei, me ensinou que serenidade, radicalidade e prazer devem andar juntos. Para alguns, pode parecer contraditório: mas não é! Serenidade, para ouvir, ver e refletir sobre todas as expressões; radicalidade nos valores e propósitos e prazer, porque sem amor pelo que se vive não vale a pena viver.

Retomo, hoje, neste 30 de novembro de 2020, não por acaso. Vivemos, no país, mais um daqueles momentos a nos desafiar, a todos nós, os seres de boa vontade, das causas coletivas e da luta por transformação social. Não podemos nos acomodar diante do aprofundamento das desigualdades sociais.

É com este horizonte que chamo todos os que quiserem a tomar café e/ou cerveja e conversar. Os companheiros e companheiras de ontem, os mais velhos, da minha geração; aqueles que me serviram/servem de referência e os mais novos, que se dispuserem a conversar e trocar.

Dois lugares são bons, para mim, para reflexões e definição de ações práticas: ambos, em um mesmo símbolo de partilha – a mesa: de café e de bar. Com alguns, vamos de café; com outros, de cerveja. Mas, com todos, a mesma disposição para ouvir, falar, propor, agir.

Aqui estou. E convido você.

Algumas vezes, pelas medidas de prevenção, ainda será mesmo virtual. Tão logo seja aceitável, vamos nos encontrar, ao vivo e em cores para um café, quem for de café e para uma(s) cerveja(s), quem for de beber. Ou ambos.

Em tempos de mensagens instantâneas, considero escrever e conversar a partir de textos para cada formato de comunicação. Pretendo dividir o que já aprendi, o que leio, o que vejo, as análises e reflexões que considero importantes e assim trilhar um caminho que possamos seguir.

Um aviso: não faço debates públicos sobre questões sensíveis. Autocríticas e críticas às ações de diversos atores sociais, reservo para os espaços próprios. E basta uma pesquisa nos meus perfis para saber como me comporto. Manifestar posição política crítica faz parte da atuação da cidadania pela qual tanto lutaram nossas referências históricas. Mas não a qualquer preço, nem para ganhar curtidas.

As redes sociais, que tanto nos ajudam a conhecer pessoas, estudos e práticas, também servem, se mal conduzidas, para desagregar e desmotivar tantos que, desconhecendo todos os fundamentos das mensagens, permanecem na superfície da realidade e tomando como verdade aquela mensagem que lhe apareceu.

Segundo aviso: vamos tomar esse café ou essa(s) cervejas quando possível. Não esperem café só pela manhã e cerveja só pela noite (ainda que sejam mais habituais). Ou seja, pode aparecer motivo para conversar, a qualquer hora. Sem tempo marcado. Ou obrigação de postar e sentar.

Segue a vida. E bela. E complexa. E desafiadora. Sigamos nós nela. Cá estamos!