Eis que as minhas amigas, companheiras, conhecidas, colegas e iguais estão indo embora... (sim, tudo no feminino - chega de nomear no masculino - somos maioria de mulheres!)
Neste mês de março de 2026 farei 64 anos, mais precisamente, em uma semana. Escrevo para falar de idade, sim, e de suas complexidades e simplicidades, tudo no plural, mesmo.
De há muito, observo em mim as dificuldades de movimento. Me machuco com muita frequência. Sinto dores articulares e atividades corriqueiras vêm se tornando mais pesadas.
Semana passada, ouvi um relato de uma colega de profissão e ativista feminista acerca de mais um caso de violência contra a mulher. Assisti a todo o relato da companheira, numa rede social. Um caso de que eu já havia tomado conhecimento, mas parei para ouvir a posição da colega, pois se tratava de uma referência para muitas de nós.
Lá pelas tantas, ela disse que, aos 70 anos e outros tantos de militância, ela voltava ao tema para indignar-se e solidarizar-se, por óbvio, com a vítima daquela violência.
Me dei conta que a colega já está com 70! Gente, o tempo está passando! (Risos, porque é lógico!) As pessoas de meu conhecimento mais próximo estão envelhecendo! Eu mesma, ando me dando conta disto, mais pelas limitações, que mesmo pela romantização da "melhor idade".
Dar-se conta de que o tempo passa, impõe a inevitável questão: como serei sem os meus próximos? Em um mês, mamãe completará 101 anos! Amigas queridas adoecidas e outras caminhando na vida com dificuldades. E, ainda, as que estão indo embora mesmo. Professoras e colegas além de netos e bisnetos, com que se encantam e celebram e às voltas com limitações a superar para acompanhá-los e com eles bem conviver. Que desafio!
Haverá descompasso, certamente. E não deve ser razão de desconsolo, penso eu. Nem deva ser buscado espaços de "superação" para que se dê conta. Penso que devemos correr cada um em seu próprio curso. Não desejo e nem me esforçarei para alcançar a vida de sobrinhos-netos. Dar-me-ei por satisfeita enquanto os reconhecer e puder brincar ou ler para eles uma história, ou qualquer outra mediação, mínima que seja e possamos seguir bem!
Uma preocupação que ronda é a da perda de autonomia, em seu mais amplo sentido. Aqui, sim, exige atenção para que, quando o futuro envelhecer, o presente possa acompanhar.
Depois volto aqui, de novo, nesta toada. Hora de acompanhar mamãe para a cama! 21:00h
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